16 de novembro de 2008

A Minha Janela

Meu canto tem duas janelas, uma da lavanderia e outra do meu quarto onde avisto a rua.

Vejo quem passa e quem chega.

Minha janela não tem cortina, coloco um lençol me precavendo de ser avistado por alguém do prédio em frente.

Da minha janela vejo um bar, lá longe, onde se encontram os mesmos freqüentadores.

Da minha janela eu fumo e jogo fora o quimba.

Da minha janela eu olho na esperança de ser visitado por momentos alegres.

Da minha janela reflito sobre a vida e me pergunto onde estão os amigos.

Da minha janela vejo o céu em dia ensolarado e as nuvens em dias chuvosos.

Um dia amanheci na janela vendo o tempo clarear, refletindo, pensando, desejando.

Um dia vi dois muleques "depenando" um carro na rua, não liguei para a policia, pois já estavam finalizando o roubo.

Um dia também gritei pela janela a um amigo que saiu a comprar coca-cola, para trazer-me um cigarro.

Da janela com as luzes acesas, as visitas sabem se estou em casa, que por hora, vem me visitar sem ao menos avisar.

Da janela refresco do calor, pois o meu ventilador não ventila intensamente.

Da janela todos os dias, vejo amanhecer o dia, por dormir com ela aberta.



É ela que me acorda.

É ela que induz a refletir.

Tudo bem, eu sei!

Não é ela irá trazer a felicidade, não abastecerá minha geladeira, não me dará prazer sexual enfim...

Mas é ela, minha companheira de todos os dias!



Nenhum comentário:

Postar um comentário