12 de abril de 2010

Meu Michê [ Fator "F" ]

Então, confesso. Para não dizer ridiculamente minha confirmação que estou apaixonado, e espontaneamente, não imaginarem a idéia linda do tal do amor, qual repudio, logo digo que, estou atraído, repito, a-t-r-a-í-d-o por este que o denominei de ‘meu michê’. Não por bancá-lo para comigo estar com exclusividade ou por ja ter o pago pelos seus serviços sexuais, mas por ter trejeitos físicos e psicológicos. Corpo musculoso com diversas tatuagens, alto, branco, costas largas e braços fortes e torneados. Nas costas, uma tatuagem da mais famosa obra de Michelangelo, Pietà. Na barriga, a tatuagem do personagem mal-humorado de desenho, o TAS. Bunda arrebitada. Cabelos finos e loiros. Olhos castanhos claros e lábios carnudos que sustentam um inefável beijo.
Tudo começou na balada. Eu, como sempre sozinho, na pista dançava completamente hipnotizado. De repente, chega ate a mim aquele homem lindo, sem camiseta, perguntando-me se eu estava a fim de curti-lo. Deste então, outros encontros rolaram na noite. Encontros advindos de desencontros. Nada marcado, tudo coincidentemente. E eis que aqui estou, completamente envolvido por um sentimento repudiante que me leva em pensamentos a sua imagem dia e noite.
É explicito que ele possui mais malefícios que benefícios. Literalmente, sem eufemismos, ele não presta. Tem um grande poder de persuasão, o tipo bom de barulho, o verdadeiro 171. Tem o que eu sempre julgava nos namorados de sicranos e fulanos alheios. Possui hábitos noturnos. Por não ter onde morar e por sua família não ser natural de Goiânia, perambula em busca de abrigo na casa de um e de outro. É sem futuro, usa drogas, bebe, fuma e é meio metido a garoto de programa. Isso, por não ter emprego, acaba submetendo-se ao dinheiro fácil. E para finalizar seu currículo pessoal, me confessou, no auge do seu estado físico e emocional alcoolizado, que é ex-detento.
Contudo, ele me atrai, me trata muitíssimo bem, me elogia a todo tempo. Na balada esta sempre se preocupando comigo e por duas “afters” que fizemos após a noite, ele foi companheiro, percebia-se em seus olhos a preocupação em não fazer nada de errado para comigo.
Tenho medo de arriscar, de jogar todas as fichas e perder. Talvez ele me trate bem, por um subterfúgios, uma farsa, uma mascara que poderá cair quando mais adiante for essa historia. A vontade que tenho, é cuidar dele, aconselhá-lo, fazer algo para que mude sua trajetória de vida. Já mudei tantas vidas. Já ajudei tanta gente que não merecia. Por sua vez, por que não o dar essa chance de se tornar uma pessoa melhor? Não que eu seja o todo poderoso, mas posso ao menos uma palavra amiga expor. Afinal, todos nos precisamos uns dos outros. Isto é fato. E mesmo que ele não sinta nada por mim, eu, ainda assim, o ajudaria.
E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo. E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.


Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode de repente chegar

Quando existe alguém que tem saudade de alguém
E este outro alguém não entender
Deixa este novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar

Que tolo fui eu, que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar
Vem nós dois vamos tentar
Só um novo amor
Pode a saudade apagar

Tom Jobim


Por Lawrence Tayller

2 comentários:

  1. E o amor chegou aí, hein?!
    Eu amei o texto, escreve muito bem...
    te sigo e visitarei sempre.
    Abraçossssss!!!!
    e muito amor aí ó!

    e obrigada pelo meu comentário lá no mariposa, e bata asas lá sempre que puder...

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  2. Uau. Que lindo!
    O texto é seu?
    Nada melhor do que se apaixonar!!!!
    Beijocas e td de bom =*

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